Autoestima e Cuidado
A autoestima está diretamente ligada à questão da felicidade. Ela refere-se à capacidade de valorizar quem sou e como sou, desenvolvendo uma postura de segurança e autoconfiança que me permita ter noções claras das minhas capacidades, talentos e habilidades e cuidar deles, para que cresçam ao longo da vida. Também uma equilibrada autoestima me dá a dimensão dos limites que tenho, as condições de ampliar o que me cabe fazer expandir e a aceitação do que não conseguirei desenvolver. O quanto de prazer colherei de tudo o que semear ao longo da vida dependerá, em grande parte, da minha autoestima. O contrário também é verdadeiro: não há nenhuma doença emocional que, de alguma maneira, não esteja ligada a uma visão empobrecida ou comprometida da pessoa em relação a si mesma. Esta história nos ajuda a refletir melhor: Era uma vez uma árvore, no meio da floresta. Ela era uma árvore muito pequena, de galhos muitos frágeis, mas sonhava ser grande e dar muitos frutos. O tempo foi passando, seu caule engrossou e suas folhas se multiplicaram. Um belo dia, ela perguntou a sua mãe quando é que os frutos viriam. Oh, meu amor! Não somos árvores frutíferas. Somos só assim mesmo… E a árvore chorou porque não tinha nada a oferecer. Via as pessoas apanharem frutas de suas companheiras, até folhas medicinais, enquanto ela vivia ali parada, inútil. Até que ficou tão triste, que teve vontade de morrer. Suas folhas, então, foram murchando. Seus galhos começaram a secar. Ela foi ficando cada vez mais curvada, seca, e no silêncio de sua dor, ouviu um pássaro piar: Pelo amor de Deus dona árvore! Não faça isto. Minha esposa está chocando nossos filhotes, aqui neste seu galho. Se ele cair, que será de nós? Espantada, ela começou a prestar atenção em si mesma. E passou a reparar quanta “gente” morava nela. Tinha uma família de mico-leões. E mais uma casinha de joão de barro. E mais uns besouros. Uma orquídea em botão, presa ao seu tronco sussurrou: Espere um pouco mais, para ver a surpresa que vou lhe fazer! Então ela viu as abelhas que tinham se alojado num vão entre suas raízes, onde frabricavam mel saboroso. E viu uma família de pessoas almoçando à sua sombra. E só então ela começou a ouvir a voz de Deus em seu coração, dizendo: Nem todas as árvores tem frutos para dar. Porém, algumas, como você podem ter muito mais a oferecer. A árvore com aquele pensamento, recuperou a vontade de viver, ficando saudável em poucos dias. Assim , ela pode festejar quando os passarinhos nasceram, e a orquídea logo se abriu. Muitas gerações de crianças já construíram “casas” e balanços em seus galhos firmes e fortes. Esta é uma das suas alegrias! E até hoje ela está lá, dando cada vez mais sombra, sustentando cada vez mais vidas, feliz por ter encontrado sua verdadeira razão de viver. A autoestima é construção do sujeito e nunca se dá por acabada. Durante toda a vida, temos de estar atentos ao modo como consideramos a nós mesmos e ao quanto cuidamos do dom precioso que Deus nos ofertou, que é nossa vida, para sempre crescermos e encontrarmos alegria em ser quem somos. Enquanto construção, ela pode sempre ser aprimorada. A principal sustentação da autoestima equilibrada é a certeza de que Deus nos fez a sua imagem e semelhança(Gn1,7), de que trazemos em nós os vestígios de sua perfeição e de seu amor, e de que por isso mesmo, podemos exclamar sempre com o salmista: “Maravilhas são, Senhor, as tuas obras!”(Sl138,14). No entanto, a realidade nos mostra que muitas pessoas não se sentem assim, felizes e realizadas com o que são. Sofrem de sentimentos de inferioridade, inadequação, insegurança e muito medo diante da vida. Vivem dizendo “eu não sirvo para nada”. Certamente, essas pessoas, na sua história de vida, não experimentaram relacionamentos positivos que os incentivasse descobrir e fazer valer o melhor de si, ou foram duramente provados pela vida a ponto de destruírem até o amor próprio. São pessoas que precisam de ajuda, para que voltem a se amar e cuidar de si mesmas. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey