Com Jesus e Maria, restauramos a vida!
O ser humano é o mais frágil entre todos os seres criados. Ele nasce desprovido de qualquer possibilidade de defesa: não anda, não fala, não enxerga com clareza. Apenas chora para manifestar suas necessidades. Embora seja a imagem e semelhança do Criador, quando nasce é o mais imperfeito dentre as criaturas. Por isso, depende dos outros. Como o barro que o oleiro dá forma com paciência e maestria, assim a criança vai se tornando gente, num longo processo de conhecimento do mundo que a cerca. Tudo começa no momento em que ela deixa o aconchego do ventre materno e inicia a grande aventura de ver a luz. Assustada e impotente, lança um grito de socorro pela vida. Sua primeira descoberta é a mãe que a acolhe nos braços e alimenta com o leite que a deixará imune contra enfermidades. Pouco a pouco se estabelece um relacionamento de confiança e gratidão entre ela e aquela que a concebeu e a carrega no colo até que aprenda a andar sozinha. Contudo, sua dependência ainda continua no aprendizado de se relacionar com as pessoas, no cumprimento de suas obrigações sociais, etc. Mas ainda não é tudo, a fragilidade humana permanece nos momentos de medo, perigo ou decepção. Como o primeiro amor que nunca se esquece, a mãe é o nome sempre gritado quando se busca aconchego, segurança e conforto. Ela oferece o colo que restaura as forças, protege contra os inimigos e renova a confiança para se continuar a vida. No mundo da fé não é diferente. Conhecedor de tudo, Deus Pai do céu e da terra quis vivenciar as fragilidades humanas para mostrar à humanidade o caminho na busca da perfeição. Ele também nasceu impotente, foi alimentado com o leite materno, aprendeu os segredos da vida humana com uma mulher que o carregou no colo e o acompanhou na realização do seu projeto de vida. No momento da cruz, lá estava Maria para ser anunciada como a Mãe de todos os discípulos e receber o corpo sem vida humana do Filho divino, que garantiu a vida eterna para toda a humanidade. Ela é a Mãe da Misericórdia, é a doçura e esperança de todos os que dela se aproximam quando sentem medo, estão em perigo ou sofrem decepções. É a ela que os seguidores de seu Filho suspiram, gemendo e chorando nos vales de lágrimas que atravessam durante suas vidas. Nossa Senhora passou por muitos momentos estressantes de provação, de incômodo, de dor, durante sua vida, mas suportou tudo com paciência. Sua tolerância era admirável! Nunca se revoltou contra os acontecimentos nem mesmo quando viu seu filho na cruz. Sabia que tudo era vontade de Deus e meditava tudo isso em seu coração. Maria, nossa mãe, teve sempre paciência, sabendo aguardar em paz aquilo, que ainda não se tenha obtido, acreditando que iria conseguir pela espera em Deus. Ter paciência é não perder a calma, manter a serenidade e o controle emocional. Além, disso é saber suportar, como Maria, os dissabores e contrariedades do dia a dia, saber suportar com paciência nossas próprias cruzes. Devemos saber ouvir as pessoas com calma e atenção, sem pressa, exercitando assim a virtude da caridade. Fazer um esforço para nos colocarmos frente aquelas situações mais irritantes e estressantes. Quando houver um momento de impaciência pode se rezar uma oração, buscando se acalmar para depois resolver o conflito. Devemos nos propor firmemente não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio… Temos que renunciar frases típicas que são ditas pelos impacientes: Você sempre faz isso? Outra vez? Já estou cansado? Estou farto disto? Fugir da ira se calando ou rezando nestes momentos. A paciência se opõe a ira. Não só isso mas nos gloriamos das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade, e a fidelidade comprovada, produz a esperança. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey