Jornal A Cidade
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Santa Maria, Quinta-Feira, 29 de Novembro de 2018 - Ano XIX - Edição 1250 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1250 CIDADE 29 de Novembro de 2018
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A Fuga impossível

Cidade: fuga impossível impossível
[ Foto sobre A Fuga impossível ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1250 do Jornal A Cidade.

Vivemos em tempos singulares, onde cada vez mais se percebe uma intensa busca por paz e por uma identidade pessoal própria. Como isso será possível? De vez em quando eu fico me perguntando como o nosso tempo e as gerações atuais serão lembradas. É claro que não dá para generalizar e achar que todos os que vivem atualmente tem o mesmo perfil. Aliás, os estudiosos do assunto identificam quatro gerações atuais. A primeira é a geração Baby Boomers, também conhecida como a geração da “explosão dos bebês”. Nesse grupo estão as pessoas nascidas logo após a segunda guerra mundial, ou seja, entre 1945 e 1960. Quando os soldados voltaram para casa, depois de uma longa guerra, houve uma verdadeira onda de euforia e otimismo, o que fez aumentar consideravelmente a taxa da natalidade. Até em função da idade que hoje elas tem, essas pessoas são mais conservadoras e buscam estabilidades nos empregos e nos relacionamentos. É a idade da plena maturidade que ficou marcada pelo surgimento da televisão. A segunda é a geração X, onde se encontram os nascidos entre 1960 e 1980. É a geração questionadora e que não aceita nada como definitivo. Tudo é questionado, sendo as músicas de protesto e o movimento hippie, elementos bem emblemáticos desta época. Essa geração também ficou marcada pela preocupação com as questões ambientais e com o crescimento da consciência ecológica. Estava começando a era da internet. A terceira geração é denominada de Y, e é a dos nascidos entre 1980 e 1995. São pessoas que tiveram contato com a tecnologia desde cedo. Todo esse excesso e essa rapidez de informações trouxe também consigo o imediatismo, a superficialidade e a transitoriedade de conteúdos que antigamente eram mais perenes. A quarta e mais atual geração é a Z, também conhecida como a dos Nativos Digitais. São pessoas que nasceram após 1995, ou seja, quando eram crianças já havia internet e rede sociais. A característica marcante dessa geração é o grande acúmulo de informações e o individualismo. Independente da geração em que estamos como seremos lembrados? Seremos a sociedade da rapidez? A sociedade do individualismo? A sociedade do acúmulo de informações instantâneas? A sociedade da descrença? No meu modo de ver sem desprezar todas as características anteriormente citadas, paraece que seremos lembrados como a sociedade do barulho. Já repararam como as pessoas fogem do silêncio? Entram no carro e ligam o som, estudam com fones de ouvido com música, fazem refeições com televisão ligada, conversam muitas vezes sem ter nada de importante para dizer e por aí vai. E por que a maioria das pessoas foge do silêncio? Principalmente porque é no silêncio que nos deparamos conosco mesmo. É difícil se conhecer, enfrentar a si mesmo e identificar algumas verdades incômodas. No entanto, fugir de si mesmo é uma alternativa pior, é viver na superficialidade. No entanto, se alguém começa a pautar sua vida pela busca da verdade, pela busca da coerência, pelo exercício da compaixão e na sintonia com os ensinamentos cristãos, certamente vai também apreciar muito mais a sua própria companhia. Uma consciência tranquila emana paz e isso se irradia para os demais aspectos da nossa existência. Sendo assim, se quiseres ter uma vida com maior qualidade de oração, com mais serenidade, com a paz que o mundo não oferece, comece a desenvolver um pouco mais a prática do silêncio. Ele irá te surpreender positivamente e abrir as portas para um mundo mais seguro e pleno de luz espiritual. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

Publicado originalmente na Edição 1250 · 29 de Novembro de 2018
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