Reflexos da informalidade
O comércio informal ganha às ruas das grandes cidades, segundo os especialistas um reflexo do desemprego que ronda a sociedade, com graves consequências e insatisfações dos trabalhadores formais. No município, as principais vias aos poucos voltam a ficar cheias de vendedores ambulantes, com os mais variados produtos, em constante choque com a fiscalização. Dentre os incomodados destacam-se os vendedores do Shopping Independência, popularmente chamado de “Shopping Popular”, há oito anos em funcionamento, com um total de 204 bancas, locadas e pagas conforme o tamanho e localização. Com o fim do comércio informal nas ruas da cidade, esse local foi destinado aos vendedores ambulantes, de artesanato e camelôs. Há um descontentamento geral com a situação e a concorrência “desleal” oferecida pela informalidade, segundo a maioria dos vendedores do shopping, embora sem mencionar seus nomes, opinaram. “O movimento está fraco”, disse uma vendedora, pois no local a concorrência já é grande, devido ao grande número de mercadorias iguais em bancas próximas uma das outras. “Tem dias, que muitos dos vendedores nem conseguem dinheiro para o almoço”, lamenta a vendedora. Além disso, ela reclamou dos gastos com a o aluguel da banca, viagens para buscar mercadoria, condução e alimentação. Ela foi mais longe às reclamações e incluiu até a concorrência oferecida pelos índios, no centro – embora saiba da legislação que os protege –, “as mercadorias deles se assemelham as nossas e são vendidas a preços inferiores”. Para a vendedora, os ocupantes das ruas ‘‘querem forçar o poder público a criar outro local de vendas parecido com o shopping”, que seria péssimo, mas quase impossível, pois a Prefeitura não tem dinheiro, antecipa. Por outro lado, há aqueles que compreende a situação dos informais, por que foi um deles. Um dos mais antigos vendedores do shopping não se diz contra os que procuram um local para trabalhar na rua. “É a lei da sobrevivência e a busca do ganha pão, porque o desemprego é grande”, além disso considera que o comércio ambulante “é da rua e acontece no mundo todo”. Já, o presidente dos vendedores do shopping, Valdir Medeiros de Mello – mais conhecido por McGiver – também considera a concorrência desleal. “Não sou contra, mas tem que haver locais, os informais vendem mais barato, as mesmas mercadorias, que tem aqui. “As pessoas compram por impulso, onde é mais barato e na rua”. Quanto à fiscalização, existe, mas é pouca, avalia. O Shopping Popular tem três andares, tendo o térreo e o segundo ocupado pelas bancas e o terceiro com praça de alimentação. Abre das 9h às 20h de segunda a sábado e no primeiro domingo do mês das 11h às 19h. O Shopping Independência valorizou o trabalho de cada empreendedor, onde deixar de ser camelôs da via pública para terem seu próprio negócio, e chegou o momento de criar outro espaço nos mesmos moldes deste shopping.