Aparelhos tecnológicos não substituem bons livros impressos.
A leitura representa oportunidade de crescimento pessoal e espiritual. Um dia desses, enquanto eu aguardava ser atendido, na sala de espera do dentista, peguei um livro que estava sobre a mesa. Era do poeta Federico Garcia Lorca – que muito admiro. É raro ver em salas de espera livros dessa natureza, pois nesses espaços encontramos apenas revistas e, comumente revistas fúteis. O livro estava todo rabiscado com lápis de cor e pensei: “Que desperdício deixar um livro desses nas mãos de crianças, pois só uma criança rabiscaria dessa forma um livro de tanta qualidade”. Mas, depois, pensando bem, vi que não era desperdício, mas, oportunidade de crescimento, pois a criança teve, à sua maneira, contato com um livro impresso, algo raro nos dias de hoje com o advento da tecnologia e da informática. Tudo indicava que aquela criança ainda não sabia ler, mas estava manifestando sua curiosidade por meio dos rabiscos que fez com lápis colorido no livro. Isso me fez pensar na fala de Bill Gates, um dos precursores da informática, quando disse numa entrevista que seus filhos teriam computadores, mas, que antes, teriam livros. Atualmente, vemos que as crianças mal acabam de nascer e já ganham smartphones, e-readers, tablets e outros aparelhos tecnológicos de última geração, ficando cada vez mais distantes dos livros impressos e das boas revistas que ajudam no crescimento pessoal, espiritual e na educação de um modo geral. Porém, o bom e velho livro continua sendo um dos instrumentos mais eficazes para formar seres pensantes, e as boas revistas não ficam atrás, pois formam e educam de maneira leve e descontraída. Pobres dos pais que não enxergam isso. Eles não sabem que o gosto pela leitura começa quando se é criança e que se eles souberem disso poderão incentivar seus filhos e despertar a curiosidade de aprender com os livros e os outros bons escritos. Livros e revistas para colorir; depois, livros e revistas de historinhas; mais tarde, livro de história, revistas sérias e de om conteúdo, e assim eles vão aprender a escrever a própria história. Vão poder ver e entender de história e a construir a sua própria. É uma lástima ver pais gastando horrores com celulares da moda, com muitos recursos tecnológicos, com crianças que ainda não sabem falar, enquanto livros e revistas são bem mais baratos e ajudam muito mais na formação dos filhos. Pense nisso se você é pai, mãe, avô, avó, tio, tia, padrinho ou madrinha, catequista ou professor. Presenteie seus filhos, netos, sobrinhos, afilhados ou qualquer outra criança com livros de acordo com a sua idade. Assim, você estará de fato educando para a vida, e não apenas formando “rôbos”. O mundo e as sociedades precisam de pessoas que pensam e respeitam os seus semelhantes, pessoas que são mais sensíveis e mais humanas, e somente os livros poderão ensiná-las a pensar de maneira diferente, porque os livros norteiam caminhos, enquanto os telefones celulares e derivados nem sempre contribuem para a leitura, a escrita e a fala, procedimentos elementares para as relações humanas. Enfim, leitura não é importante apenas para criança e jovens. É importante em todas as idades. Pobre daquela pessoa que acha que já sabe tudo e que não se preocupa em ler, em saber mais. Esse é o primeiro sintoma da morte, pois no dia em que perdermos o desejo de aprender, perderemos, também, o desejo de viver, porque um dos sentidos da vida, e talvez o mais importante, é aprender sempre mais. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.